domingo, 17 de fevereiro de 2013

Consulta #8


Eu já pensei em me matar, Nunes. Na verdade, tava pensando nisso enquanto vinha pra cá. Minha vida anda desorganizada, um caos, tudo dando errado, ando quase infeliz. Por isso vim aqui. É, não é legal saber que só venho bater um papo contigo quando eu realmente precisando falar com alguém. Inclusive, isso nem pode ser chamado de papo. Afinal, só eu falo. E eu vim aqui pra falar que eu quero que as coisas voltem ao que era há alguns meses atrás, quando as minhas preocupações eram menores e mais fáceis de resolver do que são hoje.
Sim, implorando por algo que dificilmente vai acontecer. As coisas passam, pessoas e situações mudam e nada é como antes. Infelizmente.
Ah!, como eu queria fugir pra algum lugar onde ninguém me conhecesse, onde não tivesse laços (e nem buscasse por uns), onde preocupações não me alcançassem e eu pudesse reorganizar minha mente pra poder, então, tocar pra frente a minha vida, do jeito que tem que ser.
Mas fugir não é uma opção, Nunes. E até o descanso vai demorar um pouco. Na verdade, pra que eu chegue ao momento de descansar, eu tenho que fazer muita coisa ainda. E isso é que me preocupa: a quantidade de responsabilidade que talvez eu ainda não esteja preparado para lidar. Sou quase uma criança, Nunes! Será que eles não percebem? Não, eles não percebem. Eles só continuam dizendo que existe um caminho a se percorrer, que a vida é assim e que precisa ser feito desse jeito. EU TENHO QUE CRESCER!
Então vou parar de choro e tentar “crescer” da melhor maneira possível, tentar fazer com que eles se orgulhem do homem que estou me tornando. Já que TEM que ser assim, assim será. Se bobear, nem volto mais aqui pra reclamar da vida. Já que a vida é assim, não adiantar reclamar, não é mesmo?

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