Eu já pensei em me matar, Nunes.
Na verdade, tava pensando nisso
enquanto vinha pra cá. Minha vida anda desorganizada, um caos, tudo dando
errado, ando quase infeliz. Por isso vim aqui. É, não é legal saber que só
venho bater um papo contigo quando eu realmente tô precisando falar com alguém. Inclusive, isso nem pode ser
chamado de papo. Afinal, só eu falo. E eu vim aqui pra falar que eu quero que
as coisas voltem ao que era há alguns meses atrás, quando as minhas preocupações
eram menores e mais fáceis de resolver do que são hoje.
Sim, tô implorando por algo que dificilmente vai acontecer. As coisas
passam, pessoas e situações mudam e nada é como antes. Infelizmente.
Ah!, como eu queria fugir pra
algum lugar onde ninguém me conhecesse, onde não tivesse laços (e nem buscasse
por uns), onde preocupações não me alcançassem e eu pudesse reorganizar minha
mente pra poder, então, tocar pra frente a minha vida, do jeito que tem que
ser.
Mas fugir não é uma opção, Nunes.
E até o descanso vai demorar um pouco. Na verdade, pra que eu chegue ao momento
de descansar, eu tenho que fazer muita coisa ainda. E isso é que me preocupa: a
quantidade de responsabilidade que talvez eu ainda não esteja preparado para
lidar. Sou quase uma criança, Nunes! Será que eles não percebem? Não, eles não
percebem. Eles só continuam dizendo que existe um caminho a se percorrer, que a
vida é assim e que precisa ser feito desse jeito. EU TENHO QUE CRESCER!
Então vou parar de choro e tentar
“crescer” da melhor maneira possível, tentar fazer com que eles se orgulhem do
homem que estou me tornando. Já que TEM que ser assim, assim será. Se bobear,
nem volto mais aqui pra reclamar da vida. Já que a vida é assim, não adiantar
reclamar, não é mesmo?